quinta-feira, 30 de abril de 2009

Liberdade - Responsabilidade

"Tudo quanto aumenta a liberdade, aumenta a responsabilidade"
Victor Hugo (1802-1885)
Porque liberdade sem responsabilidade conduz ao desregramento, à acção descontrolada, ao excesso, à prepotência, à irresponsabilidade anárquica, à acção sem objectivos, sem limites, sem sentido. Se a minha liberdade deve terminar onde começa a liberdade do outro, então o sentido dos limites é fundamental para definir o carácter ético da minha liberdade. Se todos agirmos de forma responsável, todos estamos a garantir a nossa própria liberdade. É a irresponsabilidade dos prepotentes que constituiu a maior e mais presente ameaça à liberdade de cada um de nós.
Não há garantia de liberdade onde a responsabilidade social não estiver permanentemente presente, assegurando que os limites existem, são respeitados e orientam o sentido dos nossos actos.

terça-feira, 28 de abril de 2009

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen - "Obra poética - O Nome das Coisas"

sábado, 25 de abril de 2009

terça-feira, 21 de abril de 2009

sexta-feira, 17 de abril de 2009

terça-feira, 14 de abril de 2009

sábado, 11 de abril de 2009

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Abril, Quinta 9

Em chinês, a palavra crise é composta por dois caracteres: um representa perigo e o outro, oportunidade
John F. Kennedy

Palavras de um pensamento sábio, pragmático, certo, como todas as coisas simples e profundas que vêm do começo dos tempos.

Perigo porque nos alerta para o que põe em risco as nossas vidas ou a segurança do nosso viver em comunidade. Oportunidade para reflectirmos, tomarmos consciência dos nossos erros, corrigirmos o rumo que escolhemos, ou mudar os objectivos que definimos. Oportunidade para mudarmos de caminho ou mesmo para voltar atrás e recomeçarmos. Porque é sempre melhor voltar ao começo de tudo do que persistir no trajecto que conduz ao abismo, caminhando para a nossa fatal aniquilação.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Abril, Segunda 6

O que sabemos é uma gota de água , o que ignoramos é um oceano.

Isaac Newton



Tantos já o disseram, como aquele sábio homem da Grécia, de seu nome Sócrates, que sacrificou a sua vida para dar como exemplo que só a dúvida constante é o princípio da sabedoria.

Quando alguém lhe elogiou o saber, ele vincou de imediato que talvez houvesse nisso alguma verdade porque, de facto, ele tinha uma forte convicção que nada sabia, ou seja, que nele as dúvidas eram imensas e quase inexistentes as certezas.

Por isso, o que define os tolos é a convicta presunção acerca do seu saber.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Do trigo e do joio

Há searas onde campeia o joio
Onde a foice não entra por não darem pão
Só os rebanhos aproveitam porque apenas para pasto dão

Há terras onde a estupidez impera
Sufocando nelas qualquer lampejo de razão

Assim vives tu
Minha terra
Antes tão uber
Hoje tão estéril
Sufocada sob o mando espúrio que te condena à triste escuridão

domingo, 4 de janeiro de 2009

Eles

Enganas-te!

Atribuis-lhes opinião
E só os move a ambição

Neles nâo há "razão"
Apenas impulsos reles conduzem a sua acção

Vangloriam-se de astutos
Sendo impantes e estultos

Vão cegos na correria
Ignorando que são
"O cadáver adiado que procria"

( Com a devida vénia ao Fernando Pessoa)

sábado, 3 de janeiro de 2009

Aqui - Agora

Nesta pequena pátria
Terra mártir de tanta estupidez
Me conforto
Na memória de tempos passados
E na esperança - tão adiada - do melhor que virá


Para os medíocres o passado não conta
Nem o futuro que não projectam
Só o presente
Apenas um presente mesquinho
Onde se repete a monotonia do seu existir tão limitado

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Muda o ano

Muda o ano
Mas muda a vida?

A vida, essa continua
Sem mudança
A mesma ânsia de que tudo mude.

Mas ganhamos a esperança
Em cada esperança de mudança
E nada muda.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

ORANDO

Nada me dói tanto
como a estúpida maldade dos prepotentes.

A inútil e persistente aleivosia
Que se insidia minando-me a paciência.

A malicia estulta dos gananciosos
destilando o visco da sua malquerença.

A ingerência abusiva desses estranhos
que abusam da minha condescendência.

Oh Deuses eternos!
Imponde-me uma justa penitência.
Mas livrai-me do inferno que os estúpidos são na minha existência.

sábado, 6 de setembro de 2008

PELO TEMPO VAMOS

Setembro que começa
Cairam as primeiras chuvas
Sobre a silente madrugada

Estão maduras as uvas
Começa a azáfama nas vinhas
Colhem-se verdes frutos nos olivais

Como é doirada esta luz
Num Outono anunciado
E castanhos os campos já lavrados

O Sol que acorda cada vez mais tarde
Na aceitação do viver a vida
Pelo tempo vamos

domingo, 31 de agosto de 2008

CONFORMAÇÃO

Aceitemos sem mágua
Que descendo vai
O véu outonal
Do nosso viver

Aceitando
Que deixando de ser
Fogosos amantes
Saibamos ficar
Ternos companheiros
Muito serenos
E nada distantes

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

MOMENTO II

Este calor pesado
Que vai madurando as uvas
Gerando o vinho
Que nos aquecerá
Chegando o frio Imverno
Sufoca-me
Neste final de Verão

Venha a mim o teu império
Natureza-mãe
Força geradora de todas as coisas

Seja feita a tua vontade
Aqui na terra

Reconheço a tua lei
Em assumida resignação

terça-feira, 26 de agosto de 2008

IMPERFEITO EM FORMA DE SONETO

Quieta melancolia
um sol que acalenta
e quase me sufoca
de tamanha solidão

Assim o Verão
do esbraseado sul
ventre gerador
refúgio e terra-mãe

Nesta casa onde regresso
me criei e me reencontro
na renúncia redescubro a quietação

Venho no presente
Ciente do fim pressentido
Em busca do que há muito tempo fui

sábado, 23 de agosto de 2008

RETORNO

De volta ao rotinado
(ou, rotineiro?) viver.

De que se faz uma vida?
Desta rotina rotina infinda
da re-construção do ser?

Do aceitar nasce a serena condição
de ir sendo
realizando

Da revolta,
a angústia
o desespero
a des-construção

Como da busca do prazer
nasce a permanente carência,
só a renúncia garante a quietação.