quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Semana "EUGÉNIO DE ANDRADE" ( IV)


Eugénio de Andrade, pseudónimo escolhido pelo poeta que, nasceu em Póvoa da Atalaia, concelho de Fundão, em 19 de Janeiro de 1923. Viveu na cidade do Porto a maior parte da sua vida, desempenhado as funções de funcionário dos Serviços Médico-Sociais. A cidade concedeu-lhe o título de cidadão honorário e nela foi criada uma Fundação com o seu nome. Aí morreu em 13 de Junho de 2005. É, sem sombra de dúvida, um dos maiores poetas contemporâneos da língua portuguesa. Numa linguagem de grande sobriedade, mas extraordinariamente elaborada, atinge uma grande plenitude poética exprimindo sensualidade, dor, afectos e factos do viver quotidiano, com um depurado sentido do ritmo, e numa inteligente utilização de imagens e símbolos que traduzem uma emoção lúcida perante a realidade.
 
URGENTEMENTE
 
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
 
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
 
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
 
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor, 
É urgente permanecer.
 
                     Eugénio de Andrade


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