Mário de Andrade. Este grande poeta brasileiro e um dos maiores da lusofonia, nasceu em 9 de Outubro de 1893 em São Paulo, Brasil e viveu toda a sua vida nesta cidade onde morreu em, 25 de Fevereiro de 1945 foi poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo do movimento modernista do Brasil e produziu um grande impacto na renovação literária e artística do seu país.
Erro De Português
Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que Pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português
Mário de Andrade. Este grande poeta brasileiro e um dos maiores da lusofonia, nasceu em 9 de Outubro de 1893 em São Paulo, Brasil e viveu toda a sua vida nesta cidade onde morreu em, 25 de Fevereiro de 1945 foi poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo do movimento modernista do Brasil e produziu um grande impacto na renovação literária e artística do seu país.
Aceitarás o amor como eu o encaro?
...Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.
Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.
Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.
Que grandeza... a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.
Mário de Andrade. Este grande poeta brasileiro e um dos maiores da lusofonia, nasceu em 9 de Outubro de 1893 em São Paulo, Brasil e viveu toda a sua vida nesta cidade onde morreu em, 25 de Fevereiro de 1945 foi poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo do movimento modernista do Brasil e produziu um grande impacto na renovação literária e artística do seu país.
Descobrimento
Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.
Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus!
muito longe de mim
Na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.
Mário de Andrade. Este grande poeta brasileiro e um dos maiores da lusofonia, nasceu em 9 de Outubro de 1893 em São Paulo, Brasil e viveu toda a sua vida nesta cidade onde morreu em, 25 de Fevereiro de 1945 foi poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo do movimento modernista do Brasil e produziu um grande impacto na renovação literária e artística do seu país.
Moça Linda Bem Tratada
Moça linda bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor.
Grã-fino do despudor,
Esporte, ignorância e sexo,
Burro como uma porta:
Um coió.
Mulher gordaça, filó,
De ouro por todos os poros
Burra como uma porta:
Paciência...
Plutocrata sem consciência,
Nada porta, terremoto
Que a porta de pobre arromba:
Uma bomba.
Mário de Andrade. Este grande poeta brasileiro e um dos maiores da lusofonia, nasceu em 9 de Outubro de 1893 em São Paulo, Brasil e viveu toda a sua vida nesta cidade onde morreu em, 25 de Fevereiro de 1945 foi poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo do movimento modernista do Brasil e produziu um grande impacto na renovação literária e artística do seu país.
Aceitarás o amor como eu o encaro ?...
...Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.
Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.
Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.
Que grandeza... a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.
Mário de Andrade. Este grande poeta brasileiro e um dos maiores da lusofonia, nasceu em 9 de Outubro de 1893 em São Paulo, Brasil e viveu toda a sua vida nesta cidade onde morreu em, 25 de Fevereiro de 1945 foi poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo do movimento modernista do Brasil e produziu um grande impacto na renovação literária e artística do seu país.
Ode ao Burguês
Eu insulto o burguês! O burguês-níquel
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! Os condes Joões! Os duques zurros!
Que vivem dentro de muros sem pulos,
e gemem sangue de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os "Printemps" com as unhas!
Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre Sol!
Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
Ao burguês-cinema! Ao burguês-tiburi!
Padaria Suíssa! Morte viva ao Adriano!
"— Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
— Um colar... — Conto e quinhentos!!!
Más nós morremos de fome!"
Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! Oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante!
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Mário de Andrade. Este grande poeta brasileiro e um dos maiores da lusofonia, nasceu em 9 de Outubro de 1893 em São Paulo, Brasil e viveu toda a sua vida nesta cidade onde morreu em, 25 de Fevereiro de 1945 foi poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo do movimento modernista do Brasil e produziu um grande impacto na renovação literária e artística do seu país.
Dele se escolheu este belo texto, muito poético mas pleno de um profundo sentido da existência, revelando uma inteligente, sábia e crítica atitude perante a vida. Para maior apreensão do seu sentido, aportuguesaram-se algumas expressões e palavras.
“Contei os meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, passou a roer o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inchados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando os seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
O meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência.
A minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir dos seus tropeços, não se encanta com triunfos,
não se considera eleita antes da hora, não foge da sua mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.